sábado, julho 19, 2014

Tudo não é de todos!

O que aconteceu com o mundo? Quando viramos esse bando de gente pretensiosa cagadora de regras?

Quando foi que todo mundo começou a saber, gostar, viver e até estar, em tudo?

De repente, todo mundo acha que já viveu a realidade de todo mundo... todo mundo o mundo todo, tudo, todos... é isso que eu estou de saco cheio, é muito de tudo e tudo não é mais nada.

O que aconteceu com cada um saber o seu lugar?

Que ridículo ver a tal da Anita usando uma camiseta do AC/DC como se fosse uma estampa qualquer de uma marca imbecil, e ainda por cima fazendo o símbolo do metal com a mão! Tá errado isso!

E por quê eu venho aqui com toda essa revolta dando uma de nazista cultural?

Porque essa galera tira o valor das coisas que são verdadeiras, o boyzinho da zona sul que faz grafitinho pros seus amigos frequentadores do Paris 6 comprarem, tira o valor do cara correria, do dia a dia, que arruma 5 "conto" pra fazer o rolê dele.

A periguete(?) botando linguinha pra fora usando camisa de banda épica na TV Globo é uma afronta a essa religião chamada Rock´n Roll, pra mim mais grave que o Edir Macedo chutando a "Nossa Senhora".

A Madonna não deveria poder ir no Morro Santa Marta junto com milhares de turistas para tirar foto do povo e das suas vidas fodas, como se estivessem indo num zoológico. Essas papagaiadas escondem a verdade, a realidade de quem vivem as realidades das coisas de fato, faz com que o mundo acredite que no Brasil as favelas são demais, faz o povo achar que aquele terrível e óbvio sinal de que vivemos num país de merda, mais pareça um parque de diversões super seguro, enquanto pessoas morrem e choram por lá o tempo todo!

A Copa do Mundo deixou tudo isso muito claro. Os estádios de futebol, ainda que renovados, não são pra todo mundo, o mundial passou essa falsa sensação de luxo, de gente vazia coberta de H.Stern vomitando palavras sobre paixão e sacrifício, mas estádio é sofrimento, é choro, é fila, é banheiro fedido, são dois dedos de mijo no chão e cerveja sem álcool. Estádio de futebol não é Chandon e canapés de coisas que nem sabemos pronunciar o nome. Tá bom,  isso mudou, um pouco, mas a essência do futebol não é essa do "sou brasileiro, como muito orgulho". Estádios pertencem à torcedores apaixonados, engajados, que mudam seus planos, separam o dinheiro e brigam com a mulher e com a muvuca no metrô, ou no trânsito, para estarem lá. Estádio é igreja, não é shopping center.

Eu sei, parece ditatorial, mas não é! Tudo, infelizmente, não é de todo mundo! Quando agimos como se pertencêssemos a algo que não é nosso, estragamos aquilo pra quem ama de verdade.

Então fica aqui o meu pedido, não estrague o que não é seu. Parem por favor de casar palavras que não combinam, parem de vomitar seus diminutivos, eu não aguento mais esse mundo cheio de "botequinhos chics", "PF´s gourmets","coquetéis rock´n roll" e toda essa frescurisse que já deu no saco.

Que rezemos por um mundo mais autêntico, onde as pessoas não mais finjam saber o que não sabem.